30 junho, 2006

Eugénio e Mário...


Voltámos de flor da rosa com um ano cumprido e o desejo de voltar.
Para a semana, para o ano, em dez anos e daqui a cem.
A foto é da piscina da pousada e do P. Os poemas dos meus poetas preferidos.

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos


Mário Cesariny

15 junho, 2006

A Rapa das Bestas

Que fotografia...Na Galiza, todos os Verões, os cavalos selvagens descem das montanhas para serem marcados e rapados pelos "agarradores" apenas com a força dos seus braços. À boa maneira galega ou minhota, tudo termina numa autêntica romaria. A Rapa das Bestas. Assim é Espanha. Bestial.

13 junho, 2006

Em Guardenha, Terras do Bouro...

Um limoeiro. Um presente que queria dar ao P. que era também um presente para mim. Uma recordação do cheiro a limões da minha infância, no Minho, nas vertentes do Rio Homem.
Uma viagem atribulada no cabriolet, depois no elevador...e agora descansa em júbilo no terraço da nossa casa.
Todos os dias os limões crescem mais um bocadinho...tenho-os controlados quase ao milímetro. O primeiro gin tonic está por semanas.
Em Madrid, no meio de 6 milhões de habitantes e níveis de poluição acima do aguentável, há quem ainda reinvindique o direito à memória dos cheiros da infância.
Não era preciso ir ao "souto", os limões arrancavam-se da janela da casa do meu avô.
Em Guardenha, Terras do Bouro. Para que conste.