25 abril, 2006

Bonjour Tristesse, Paulo.


Graças ao meu amigo arquitecto, Berlim foi para mim, durante muitos anos, esta obra de Siza. Não fazia ideia onde estava situada, não levava apontamentos nem guias de arquitectura como ele certamente o faria. Levava sim, um enorme desejo de a ver e de poder partilhar com ele esse momento.
Sàbado, pela manhã, alugámos por segunda vez uma bicicleta e decidimos rumar a Kreuzberg, um bairro de classe média berlinense, hoje maioritariamente ocupado por familias de origem turca. Atravessámos a grande avenida da era socialista, a Karl Marx Alle e acompanhámos, durante bastante tempo, um grande excerto do muro de Berlim. Grandes obras nas imediações ameaçam o seu futuro. O muro acompanha nessa zona a margem oriental do rio Spree onde estão ancorados antigos batelões abandonados. Um deles transformado em Youth-Hostel oferece dormidas por menos de 10 Euros.
Entrámos por um portão aberto no muro e deparámos com uma banca de memorablia da RDA. Um homem de meia idade, seguramente também o dono do hotel barco, comia uma salsicha pachorrentamente. Tirou-nos uma foto com as bicicletas e com o muro pintado por cenário (Erich Honecker e Leonid Brejnev trocavam um longo beijo). Daí partimos em direcção a Kreuzberg. Uma ponte cruzava o rio nesse ponto e anunciava o bairro “turco” do outro lado. Apenas chegados à outra margem, ali estava ele. O edifício que não cheguei a procurar. As letras da sua fachada somem-se com o tempo. Pedi ao P. que lhe tirasse uma foto. Queria mandá-la ao meu amigo por telefone. Queria dizer-lhe que estava ali, diante dele. Não tinha o seu número. Tudo ficaria adiado até hoje…
Vês agora Paulo! Bonjour Tristesse.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Comprei o livro em Bruxelas e li-o de uma assentada esticado no sofá, numa tarde de Julho, naquele Verão quente de 89. (A este título da Françoise Sagan associava sempre a melancólica obra do Siza). E também eu, naquela cidade onde vivi, me deslocava habitualmente de bicicleta, recordas-te? Tinha sempre uma sensação de appiccicaticcio que quer dizer peganhento, tal era a poluição.
Ainda lá vivia quando em Novembro caiu o muro de Berlim e recordo que o Moschino (ainda vivo) aproveitou o pretexto para remodelar a montra da sua loja na zona requintada do centro.
Sentia-me um privilegiado porque fazia o que gostava e nessa altura ainda acreditava veemente na escolha que tinha feito - queria ser arquitecto! Mas tudo mudou tanto e já não sei o que quero ser, como as crianças que ainda não pensaram; ou como os adultos que perderam o comboio...

6:47 p.m.  

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