09 dezembro, 2005

A erva


Hypomnemata#5 - Anotado ao acaso na página do dia 3 de Novembro de 1984 (neste dia estava em casa do E. a viver dias de inalterável perfeição).

"É verdade que a erva não produz flores, nem porta-aviões, nem sermões na montanha. (...) Mas no fim de contas é sempre ela que tem a última palavra. No fim de contas tudo retorna ao estado da China. (...) Não há outra saída senão a erva.(...)
Não existe senão nos grandes espaços não cultivados. Preenche os vazios. Ela cresce entre e por entre as outras coisas. Aflor é útil, a couve é útil. Mas é a erva é transvasamento, é uma lição de moral."

Henry Miller, in "Hamlet"

Voltarei a este texto. A foto é da Serra de Gredos vista desde as montanhas às que subimos de carro desde Piedrahita no passado fim de semana.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

...e não só preenche os espaços vazios, como nos serve de colchão para olhar este céu que nos protege. Em boa companhia chamamos-lhe "esplendor na relva". E depois há a erva que nos faz sorrir e agradecer esta experiência extraordinária que é estar vivo.

1:51 p.m.  
Blogger Rui Matos said...

A essa aqui também chamamos "flores". E estou um fumador empedernido graças ao P.

2:04 p.m.  

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