04 dezembro, 2007

Un nuevo dia brillará

Tu mirada me va a dar suerte. Lo sé.
Elegí la foto del "Georges" en Paris para mi currículo. Quien me vea recibirá el calor de tu mirada y me dará buena fortuna...Toda la que tengo por estar contigo.
Solo siento a veces no estar a la altura de la circunstancia. Esa de ser amado por ti de esa forma tan pura y clara.
Un nuevo día brillará.

24 outubro, 2006

TQ.

P.,
Todo lo que he escrito en el último año es para ti.
Logré hacerlo porque estabas tu.
Creo haber conseguido ocultártelo todo este tiempo, para que puedas estar un buen rato leyéndolo. Está en portugués, lo sé... Así aprendes un poquito más. Todo te va a parecer familiar, verás...
Espero que te guste. Pasé buenos momentos "contigo" escribiéndolo.
La agenda Condor la tengo conmigo y es nuestra. Pero ella fuen tan sólo la forma que encontré de decirte "Obrigado".
X.

Para quem não sabe, a foto é de Ca Ferrat en Sitges. Dizia que já vos contaria algo mais do Verão que passei aí. A foto fala por si. Foram dias "de inalterável perfeição", azuis, tranquilos...e felizes.

19 outubro, 2006

Um adeus português

Hypomnemata#19 - Anotado ao acaso na página do dia 22 de Maio de 1984.
Com Veneza de fundo termina o prazo de um ano, quase, que começei a Agenda Condor. Hoje falo de Portugal, talvez com alguma dor. Não estou nos meus melhores dias.
Ai...a melancolia.


"Sobre o seu rosto não fora só o tempo que passara,
também as cabras ali pisaram fundo.
Era difícil, era impossível distingui-la da própria terra: velha, seca, esboroando-se à passagem do vento.
Portuguesa, de tão pobre."


Eugénio de Andrade


Hypomnemata#20 - Anotado ao acaso na página do dia 27 de Outubro de 1984.

(...) Não podias ficar presa comigo à pequena dor que cada um de nós traz docemente pela mão / a esta pequena dor à portuguesa tão mansa quase vegetal(...)
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

Alexandre O'Neill, in Um adeus português


Hypomnemata#21 - Anotado ao acaso na página do dia 23 de Dezembro de 1984.

Lisboa, as suas praças, os seus recantos, guardam a quintessência dessa melancolia auto-suficiente que é uma das dimensões do talento português.
A outra, é bem sabido, é a extroversão face ao mundo ignorado, face ao mar e face ao que está mais para além: o ultramar.
Porém, nas suas praças, nos seus recantos repousa - por detrás de tristezas e fracassos - esse dourado e sábio amor ao pequeno que sustém as vidas individuais.

Fernando Morán, in El País





17 outubro, 2006

Água alta, manica corta.

Era a noite de lua cheia em Veneza. A laguna subia mais do que é costume em Outubro. As pontes deixavam de deixar passar os barcos e gondolas, as esplanadas enchiam-se de uma pequena camada de água que se confundia com o canal. Em São Marcos, tocava a orquestra sem parar. E nos Campos de Veneza ( como gostámos os dois desses Campos. Recordo alguns nomes...Santa Maria, San Polo, Santa Margherita, Santa Maria Formosa, San Zaccaria, Giovanni e Paolo, Tomá, Bárnaba, Maria Giglio...) brincavam crianças cabeçudas e passava gente sem parar, apressada, a caminho de casa. A lua cheia velava por nós e projectava sombras nas Calles e Fondamentas. Olhávamos muito e tudo nos parecia bonito. Invejávamos cada janela ou terraço empoleirado sobre os telhados. A maré alta enchia-nos também de felicidade.
Uma americana cruza-se connosco depois de estar discutindo com o seu grupo sobre qual a direcção da Piazza San Marco. Eu digo-lhe a minha intuição. Ela, sem acreditar muito no que lhe dizia e com uma expressão matreira que só os americanos sabem fazer, desabafou: We're very lost!. Assim é Veneza. Perfeita para a perdição.

A foto é do P. tirada da Ponte da Academia. Água alta é como chamam os venezianos à maré cheia. Manica corta é como eles chamam à manga curta...e que nós adorámos.

05 outubro, 2006

Son nom de Venise...

Sim. Amanhã por estas horas já estarei em Veneza com o P.
Voltamos ambos à cidade quase vinte anos depois.
Eu estive lá com o Paulo, em...( que ano era Paulo?).
Ele vivia em Milão nessa época e fomos os dois de comboio a Veneza para celebrar o meu aniversário. Foi uma viagem mágica que recordo como se fosse hoje: a Pontinha, o Campo das Cebolas eram alguns dos nomes que rebatizavámos criando um mapa muito pessoal.
A foto, julgo ser do Campo San Polo, para nós "das cebolas". Não é uma imagem turística, mas sim uma imagem da Veneza que eu recordo.
Um som? O barulho dos saltos altos das mulheres que escutamos antes de virar cada esquina e, sem dúvida, o Caetano Veloso a cantar "Terra" na biblioteca da faculdade de arquitectura.
Vou voltar Paulo e lembrar-me-ei de ti. Já sei que não volto aos mesmos lugares, serão outros já, como nós mesmos. Mas levo-te comigo. Sei que o P. não se importará.

12 setembro, 2006

Já vos contarei...

Já vos contarei de Sitges, do bom que foi. Da tranquilidade que recordo desses dias. Do sol, das tempestades, da brisa do fim de tarde, das sestas de duas horas.
Hoje, apenas me apetece deixar um sorriso que dedico ao P. Ontem deitámo-nos sem ele e por uma "tontería". Aqui vai. É para ti.

04 agosto, 2006

Circunda-te de rosas


Hypomnemata#18 - Anotado ao acaso na página do dia 17 de Maio de 1984. Na foto, Lole Montoya, que ontem vi e ouvi nos Jardins de Sabatini. Não estava o P. "con lo que le gusta esta señora".


Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto morre!
Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
O mais é nada.


Ricardo Reis, Fernando Pessoa